BaianaSystem: Passapusso comemora 2016 e diz que é 'preciso rever' músicas de baixo calão
10/01/2017 09:01 em Música

Ao analisar o cenário mundial, 2016 pode ser avaliado como um ano difícil e complicado. Da sensação de insegurança no sistema democrático, passando por crises conjugais de casais tidos como inseparáveis, até as mortes inesperadas, o período carregou um peso que fez muita gente querer virar a página o mais rápido possível. Porém, na contramão das desilusões, a banda BaianaSystem pode afirmar que terminou com saldo positivo. O grupo formado por Roberto Barreto, Russo Passapusso e SekoBass ganhou maior projeção nacional – apesar de afirmar não buscar tal posição - , conquistando prêmios, como melhor hit com a canção 'Playssom', melhor disco com 'Duas Cidades', ambos no Prêmio Multishow, 7º melhor disco do ano, segundo o ranking divulgado pelo jornal Estadão, e o mais recente título de melhor show de 2016 pelo Guia Folha, superando nomes como Novos Baianos, além de subir em palcos mais mainstreams, como o Festival de Verão e o Réveillon de Salvador. “O Baiana tem um processo muito experimental em termo das coisas que acontecem. A gente não tem um foco ali, né? Não temos alguém que fala: ‘Vamos fazer isso agora’. Eu tô sempre produzindo música com o Mahal Pita e ele vai e faz uma com o Beto, a exemplo de 'Forasteiro',  que lançamos de forma instrumental, aí Seko já tá fazendo outra música. Então, a partir disso que a gente começa a entender o que somos. Estamos na onda dos distraídos venceremos e fazendo o trabalho permear cada vez mais”, iniciou Russo. Durante a entrevista em um dos salões do Mercado Iaô, na Ribeira, ele aproveitou para comentar a repercussão sobre o fato de não terem ido buscar os prêmios do Multishow. “A gente estava em casa e ganhamos sem esperar. É complicado, pois tentávamos entender o que era aquilo e ao mesmo tempo as pessoas nos criticando por não estarmos lá e eu pensando: ‘Cara, eu tô tentando fazer um clipe em casa e de repente ganhei um prêmio que merecidamente deveria ser da Elza (Soares)’. Quanto à coisa do ‘Playssom’, a gente também achava que não levaríamos, pois não temos jabá no comércio e sabe-se que os hits funcionam de uma forma perniciosa”, apontou.  

Voltando ao debate sobre o ano de 2016, nos seus últimos dias o Brasil parou para ouvir a “Música Deu Onda”, do MC G15, que soma mais de 67 milhões de visualizações no YouTube, em menos de 20 dias, e apresenta letra consideradas de baixo calão, assim como muitas outras de diversos estilos. Quanto a essa característica nas composições, Russo foi direto, criticando a divulgação na vivência de uma criança: “Esse tratamento foi permitido dentro do veículo de composição da música comercial pop brasileira. É um apelo que faço: ‘Vamos ter mais critérios aos ouvidos; um filtro maior, pois tudo é absorvido e as crianças são o nosso futuro. Os ritmos são maravilhosos, mas tem que rever a mensagem. É importante saber cada passo a dar e como reinventar isso no mercado da arte. Quando critico isso, não nego a existência do funk carioca e de outros ritmos que cantam aquilo que veem nos seus bairros, mas tem a questão de pregar coisas e acreditar em sonhos diferentes do ambiente em que está inserido”, explica.  Por fim, reforça a necessidade de buscar músicas com maior conscientização. “Importante pensar no que eu mudo; no que eu tenho de diferente. Vamos nos comunicar de forma mais real, sem criticar e criar critérios. Hoje, todo mundo quer ser meio crítico na internet. A mudança é no nosso ciclo e nos nossos acordos”. 

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