Número de incêndios cresce 7,6% em Salvador e região metropolitana
11/06/2018 - 8h58 em Bahia

Os municípios que formam a Grande Salvador registraram um aumento de 7,6% no número de incêndios, nos quatro primeiros meses do ano, quando foram contabilizados 156 episódios ante os 145 casos computados pelo Corpo de Bombeiros Militar no mesmo período de 2017.

Os dados da corporação são referentes a incêndios ocorridos em estabelecimentos comerciais, industriais, prédios públicos e privados. Para o responsável pela parte operacional do 1º Grupamento de Bombeiros Militar, aspirante Gilvã Rodrigues, falta prevenção nos imóveis.

O mais recente caso em um estabelecimento comercial ocorreu no fim do mês passado, quando uma farmácia na Liberdade teve parte do forro destruído pelo fogo, que não chegou a afetar além da sala de monitoramento do imóvel por que um popular acionou os bombeiros rapidamente.

Sem se identificar, uma funcionária ligada ao setor de marketing da farmácia informou que o princípio de incêndio teria sido causado por um curto circuito no ventilador da loja. A fumaça, prossegue, chamou a atenção de um ambulante que trabalha na rua Lima e Silva.

"Não perdemos nenhum material, nem a farmácia teve a sua rotina alterada. Todos os oito funcionários estão trabalhando normalmente", disse, no último dia 28, em meio à movimentação de clientes verificada por A TARDE.

 

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Infelizmente, não temos a cultura da prevenção, o que acaba fazendo com que o acidente fique fora de controle

 Gilvã Rodrigues,  aspirante bombeiro

 

Ainda de acordo com a funcionária, o estabelecimento tem utilizado extintores (água e pó) como instrumentos de prevenção a incêndios. "Nossos itens passam por fiscalização periódica, estão em conformidade com as normas da legislação", pontua.

Legislação

A Lei Federal 13.425/2017 estabelece, entre outras diretrizes, a prevenção de incêndios em estabelecimentos, edificações de comércio e áreas de reunião pública, cobertos ou descobertos, cercados ou não, com ocupação simultânea igual ou superior a cem pessoas.

Desde então, passou a ser de competência do Corpo de Bombeiros Militar "planejar, analisar, avaliar, vistoriar, aprovar e fiscalizar as medidas de prevenção e combate a incêndio e a desastres em estabelecimentos, edificações e áreas de reunião de público [...]".

Na avaliação do aspirante bombeiro Gilvã Rodrigues, os incêndios ocorridos, sobretudo, em estabelecimentos comerciais no estado se devem justamente à falta de observância dos empresários às normas de prevenção e combate aos sinistros.

 

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Nas residências, é preciso trocar a rede elétrica a cada 5 ou 10 anos, a depender da qualidade dos cabos de energia

 Gilvã Rodrigues,  aspirante bombeiro

 

"Infelizmente, não temos a cultura da prevenção, o que acaba fazendo com que o acidente fique fora de controle", analisa. "O empresário acha que a parte preventiva é mais cara, quando não é, em comparação a perder o estabelecimento todo para o fogo", continua.

Antes de abrir uma empresa, frisa Rodrigues, o empreendedor deve contratar um engenheiro especializado para traçar um plano de incêndio, que deve considerar, entre outros aspectos, sistema de iluminação, sinalização, extintores adequados, hidrantes de coluna e saída de emergência.

"É justamente essa falta de conhecimento técnico que leva o fogo a se alastrar, a ganhar um dimensão maior", aponta. "Nós, bombeiros, rezamos para que (o incêndio) não acontece, mas a população precisa colaborar", frisa.

Bombeiros foram acionados para conter incêndio em farmácia na Liberdade | Foto: Divulgação | SSP
Bombeiros foram acionados para conter incêndio em farmácia na Liberdade | Foto: Divulgação | SSP

Manutenção da rede elétrica

No que tange a imóveis residenciais, o aspirante bombeiro Gilvã Rodrigues ressalta que a lei municipal prevê que as novas construções já venham adaptadas às normas de segurança. 

Nas residências, Gilvã Rodrigues observa que boa parte dos incêndios registrados, não só na capital Salvador, mas em diversas cidades brasileiras, decorrem da falta de manutenção na rede elétrica, com sobrecarga de tomadas e problemas no sistema de gás de cozinha (válvula e mangueira) vencido.

“Nas residências, é preciso trocar a rede elétrica a cada 5 ou 10 anos, a depender da qualidade dos cabos de energia”, alerta o bombeiro. “A sobrecarga da rede, assim como das tomadas, com o uso de T, em vez de um filtro de linha, facilita a ocorrência de incêndio”, complementa.

O militar chama a atenção para o costume que parte da população tem de deixar o celular carregando sobre superfícies suscetíveis à carga de fogo. “O ideal, nesses casas, é colocar o aparelho sobre uma superfície fria, como vidro ou piso, com a tela voltada para baixo para evitar aquecimento”, orienta.

Alerta

Rodrigues informa, ainda, que os moradores precisam estar atentos à data de validade do regulador de pressão (registro), além da mangueira que leva o gás ao fogão. “Se a braçadeira da que prende a mangueira no registro estiver enferrujada ou partida, já está na hora de trocar o conjunto”, diz.

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