Prazo para agendar revisão de benefício do INSS termina nesta segunda
21/05/2018 11:32 em Economia

"Tem dia que choro por não poder nem arear as panelas", emociona-se Maria Ferreira, 52 anos, ao falar sobre a incapacidade em usar o braço esquerdo, causada pelo câncer de mama que motivou a aposentadoria por invalidez há 20 anos. Na revisão do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), aposentadorias canceladas e auxílios-doença suspensos já somam 14.922. O prazo para convocados agendarem a perícia termina nesta segunda-feira, 21.

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A Operação Pente Fino tem o propósito de evitar fraudes e atinge beneficiários que não faziam perícia há mais de dois anos. O atendimento deve ser marcado pelo telefone 135, das 7h às 22h.

Apesar do membro totalmente inutilizado, Maria Ferreira é uma das 2.387 pessoas que tiveram o benefício cancelado na Bahia após revisão do INSS.

O número equivale a quase um terço (28,74%) das 8.304 aposentadorias por invalidez que foram revisadas no estado desde o segundo semestre de 2017. Até o fim deste ano, o INSS projeta reavaliar mais outros 61.627 benefícios em todo o estado.

No mesmo intervalo analisado, o INSS suspendeu 12.535 dos 16.205 auxílios-doença em vigência na Bahia, o que já gerou uma economia aproximada de R$ 530 milhões. Até o fim de dezembro, o órgão federal estima revisar pouco mais de 31 mil auxílios em todo o estado.

Quem não passar pela revisão terá o benefício suspenso por dois meses, prazo para o segurado resolver a pendência antes do cancelamento em definitivo.

Até o fechamento desta edição o INSS não informou a economia gerada com o corte das aposentadorias. Mas se, por um lado, a poupança rendeu dividendos ao erário, para dona Maria a notícia da suspensão do benefício veio acompanhada de carga emocional difícil de administrar.

Dependência

De uma vida ativa como auxiliar de serviços gerais, lavadora de carro após o expediente e dona de casa, depois da cirurgia, Maria se viu como dependente da ajuda do marido Francisco Neri, 63 anos – hoje, desempregado –, para executar simples tarefas domésticas, como lavar pratos, cozinhar e, até mesmo, vestir a roupa.

"Desde que eu fiz a cirurgia, ainda em 1994, venho fazendo fisioterapia, acupuntura, mas não recuperei os movimentos", conta. "Quatro anos depois, me aposentei, com relatório médico. Depois de 20 anos, o braço, que não funciona, vai funcionar?", questiona a mulher.

Dependente do Sistema Único de Saúde (SUS), Maria teve o benefício cancelado por não ter apresentado relatório médico atualizado, pois só tomou conhecimento da convocação pelo INSS um dia antes de o prazo para o agendamento expirar, já que a correspondência foi enviada para seu antigo endereço.

"Por causa disso, não tive tempo hábil para juntar toda a documentação necessária. Cheguei a levar o relatório antigo, expliquei a situação, pedi mais tempo, mas o perito não quis saber", disse. "Ele sequer me examinou ou tocou meu braço e disse que eu não tinha direito", completou.

Com o corte, a renda familiar de dois salários mínimos – um deles pago ao irmão com deficiência mental José Nascimento, 45 anos, de quem é tutora – cairá pela metade, para custear prestação de apartamento, dezenas de remédios, despesas com alimentação, energia, gás e água.

"Só de medicação, são R$ 500 por mês, mais R$ 290 com habitação, além das demais despesas", calcula ela que é cardíaca, hipertensa, toma medicação para dores no braço e contra esquecimento, sequela deixada pela quimioterapia. "Com um salário mínimo, vamos passar fome", prevê Maria, que recentemente fez cirurgia para retirar um nódulo no ânus.

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