Número de soteropolitanos trabalhando nas ruas dobra em um ano
19/10/2017 - 10h29 em Economia
Número saltou de 32 mil para 61 mil pessoas entre 2015 e 2016, segundo o IBGE. É o maior aumento entre as capitais

Em apenas um ano, saltou de 32 mil para 61 mil o número de pessoas trabalhando nas vias ou áreas públicas da capital baiana. Foi o maior aumento dentre as capitais brasileiras. Desse total, 34 mil são homens e 27 mil são mulheres. Os dados foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (Pnad Contínua). 

Foi o caso de Fábio dos Santos, 23 anos. Demitido em 2015 do emprego de auxiliar de entrega, decidiu ir para a rua ganhar a vida e entrou para a estatística. Ele investiu suas economias no próprio negócio e, há seis meses, fez da parte traseira do veículo da família - um carro modelo Strada - uma espécie de hortifrúti ambulante. O negócio, em parceria com o pai, está indo bem e Fábio já chega a faturar cerca de R$ 4 mil por mês, um aumento de mais de 400% na renda, levando em consideração seu antigo salário de R$ 980.


Para Mariana Viveiros, analista de Disseminação de Informações do IBGE, esse aumento no número de pessoas trabalhando nas vias públicas está ligado, sobretudo, às posições desfavoráveis que a Bahia e Salvador enfrentaram nos últimos anos, quando o estado, em 2016, ficou em primeiro lugar com a maior taxa de pessoas desocupadas do Brasil. Salvador, nesse mesmo ano, teve a maior taxa do país entre as capitais.

Região metropolitana
A Região Metropolitana de Salvador (RMS) também registrou um acréscimo no número de pessoas que trabalhavam nas ruas (39,3%) de 2015 para 2016, chegando a 75 mil. Para se ter ideia, toda a iniciativa privada da RMS emprega 1,5 milhão de trabalhadores. O aumento de pessoas trabalhando nas ruas foi de 21 mil pessoas a mais.

A RMS ficou em segundo lugar quanto ao aumento entre as regiões metropolitanas pesquisadas. Em termos absolutos, ficou atrás apenas da Regiões Metropolitanas de São Paulo – com aumento de 28,7 mil pessoas. Já em termos relativos, ficou abaixo de Manaus– com aumento de 40,6%. “Esses dados não são apenas de ambulantes, mas de pessoas que vão de porta em porta, que entregam panfletos, que vendem artesanato, dentre outros”, explicou a analista do IBGE.

Em casa ganhando mais
Em 2016, 6,3% dos cerca de 1,18 milhão de soteropolitanos ocupados na iniciativa privada - exceto trabalhadores domésticos -, ou 74,3 mil pessoas, trabalhavam em casa. Esse era o terceiro maior percentual entre as capitais pesquisadas, abaixo apenas de Natal (9,5%) e Belém (7,8%), e bem acima da média do país que foi de 2,8% e maior também que a média da Bahia, onde os que trabalham em casa representam 4,1% dos ocupados na iniciativa.

Os motivos que levaram o designer José Roberto Almeida, 32, a trabalhar em casa ou em qualquer lugar com uma boa conexão com a internet foram vários: desde se livrar dos aluguéis caros que pagava para manter uma sede fixa do seu negócio, até ter o privilégio de ter uma agenda flexível. Desde 2015, o designer comanda sua startup de qualquer lugar tendo em mãos um notebook ou um celular. 

 

O designer José Roberto Almeida agora trabalha em qualquer lugar: só precisa de um computador e um telefone (Foto: Almiro Lopes/CORREIO)

 

Empresa em casa será autorizada por decreto da prefeitura

Buscando incentivar o empreendedorismo na capital e reduzir a burocracia enfrentada por quem quer abrir empresas na cidade, a Prefeitura de Salvador emitirá um decreto na próxima semana permitindo a abertura de empresas em endereços residenciais. O decreto faz parte do eixo Simplifica do programa Salvador 360, lançado em maio pelo prefeito ACM Neto. “A gente viu que havia uma burocratização muito grande com relação a isso, o que fazia com que quem não precisasse de endereço físico próprio para a empresa, tivesse um ‘endereço fantasma’, o que resultava em despesa desnecessária de escritório. Na prática, o decreto permite que o endereço da empresa seja residencial”, explicou o secretário de desenvolvimento Guilherme Bellintani. Do Correio*

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